CREA e Polícia Civil investigam acidente que matou trabalhador de Jacarezinho (vídeo)

Jovem tinha 22 anos e trabalhava na construção civil em Arapongas

 

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA/PR) e a Polícia Civil de Arapongas investigam o acidente de trabalho que matou o jovem Felipe Augusto Cesário da Silva (fotos), 22 anos, de Jacarezinho. Ele caiu de um telhado que desabou domingo de manhã, em uma propriedade na área rural de Arapongas. O relatório do CREA/PR deve ser concluído em 15 dias.

Felipe e outros dois trabalhadores sofreram o acidente enquanto trabalhavam. Parte do teto do imóvel em construção desabou e ele morreu a caminho do hospital. Os outros dois trabalhadores continuam hospitalizados. A obra, que fica na Colônia Esperança, região da Granja Marutani, estava em fase de cobertura.

As causas do acidente não foram reveladas. A Polícia Civil também investiga o caso. Técnicos do CREA/PR fizeram um levantamento das condições do local e das características da obra. O relatório também deve incluir os laudos emitidos pela polícia científica e pelo Corpo de Bombeiros. Os documentos serão encaminhados à Câmara Especializada de Engenharia Civil, instância deliberativa do Conselho.

Caso o entendimento da Câmara seja de que houve imperícia ou imprudência de algum profissional, o que pode ter provocado o acidente, o responsável pelo sinistro será enquadrado no código de ética da instituição e poderá receber advertência reservada, censura pública e, em último caso, cassação de registro profissional.

A estrutura em que o jovem de Jacarezinho trabalhava estava em fase de cobertura e seria utilizada para depósito de materiais agrícolas. Há suspeita de que os trabalhadores não utilizavam equipamentos de proteção individual.

Comoção — O corpo de Felipe Cesário foi velado na Igreja Remidos em Cristo em Jacarezinho, restrito aos pais e familiares, para evitar aglomeração de pessoas, por conta da pandemia da covid-19.

O jovem era um dos integrantes da Fanfarra Municipal de Jacarezinho (Famuja) e fazia parte da comissão de frente da organização (vídeo abaixo).  O corpo foi sepultado ontem às 10 horas, no Cemitério São João Batista, de Jacarezinho.

O dirigente da Famuja, Luiz Henrique Hartmann disse emocionado que não conseguia acreditar no acidente que matou o jovem. Por cinco anos, Hartmann acompanhou os primeiros passos de Felipe, que com outros colegas, fazia o que mais gostava: tocar música, se divertindo e alegrando o público.

O quarteto da comissão de frente, inclusive, gostava de apresentar passos de dança enquanto se apresentava em vários municípios do Norte Pioneiro e até de outros estados. Hartmann, que não era considerado um professor, mas um pai, escreveu emocionado nas redes sociais: “Meu Deus, estou sem chão. Descanse em paz, meu aluno”.

Gustavo Viana, que também dividia a comissão de frente da Famuja com Felipe e outros dois colegas, não conteve a emoção.

Meu irmão, e agora, quem irá fazer a dancinha da fanfarra comigo, arrumar o instrumento, zoar nas viagens? É, meu amigo, que Deus o receba de braços abertos. Fomos grandes amigos aqui. Espero ver-te novamente um dia e a gente mata a saudade. Meu irmão, olhe por nós, onde você estiver”

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