Norte-pioneirense relata drama de estar contaminada pela Covid-19 (vídeo)

Saiu da quarentena agora e retorna ao trabalho na segunda-feira

A platinense Bia é uma menina corajosa, linda e trabalha na Capital na linha de frente com doentes do novo coronavírus no pesadelo que está sendo essa pandemia. Ninguém no planeta sabe exatamente como lidar com a situação.Ela soube e mostra aqui um relato tocante desde a descoberta até a cura.

Beatriz Barreto de Toledo Oliveira (fotos e vídeo), 27 anos, é noiva de Marcos (petroquímico) formada em Fisioterapia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus de Jacarezinho. Atualmente trabalha nos hospitais Sugisawa e Ônix, em Curitiba.Filha de Gisele Toledo e Jefferson de Oliveira,  tem uma irmã, Bruna, todos de Santo Antônio da Platina.

É fisioterapeuta intensivista e atua diretamente na manutenção dos ajustes ventilatórios e mecânicos dos pacientes, que estão na faixa etária de 35 à 90 anos, sendo a maior parte deles mais de 60 anos.

Os primeiros sintomas surgiram na manhã do sábado do dia 25 de abril, quando levantou para ir para seu plantão, “notei que estava com a garganta ‘arranhando’ e discreta coriza; durante o decorrer da manhã, minha coriza foi se acentuando gerando congestão nasal e voz anasalada. Ao retornar para casa, no almoço, percebi que já estava sem olfato e sem paladar, e um cansaço extra, foi quando fiquei em alerta para a possibilidade de ser o novo coronavírus devido os sintomas serem agudos e repentinos”, conta, adicionando: “Passei o final de semana indisposta e com alteração de sensibilidade, era como se minha pele estivesse queimada”

Na terça-feira (dia 28) acordou muito cansada, indisposta e com vertigem (teve que tomar banho sentada, pois não conseguia permanecer com os olhos abertos). Foi quando procurou o pronto-socorro do hospital em que trabalha, onde constataram um pico hipertensivo e realizaram o PCR para o COVID-19, através do swab da nasofaringe e orofaringe.

A médica, de imediato, solicitou o isolamento por 14 dias, e caso o resultado viesse negativo, era para Bia manter os dias de isolamento devido a possibilidade de um resultado “falso negativo”.

A tranquilidade que tive para passar por esses dias, para lidar com o resultado positivo com certeza foi algo divino; a nossa fé é o que temos de mais importante, principalmente durante todos esses momentos turbulentos”

“Meu resultado veio somente na segunda-feira (dia 4 de maio), constatando o que eu já esperava: Positivo. Eu estava calma pois já estava suspeitando que esse fosse o resultado,  estava mantendo o período de quarentena e meus sintomas piores já haviam passado. Minha preocupação maior era em relação ao meu noivo contrair o vírus e manifestar sintomas mais graves”, afirmou.

Os primeiros dias, ou melhor, a primeira semana foi a de sintomas mais intensos. Teve sintomas gripais “comuns”, como dor de garganta, coriza e congestão nasal, mas que passaram em três dias.

“A partir do quarto dia foi onde me senti pior, apresentei inapetência e muita vertigem. No sexto dia tive episódio de vômito e um mal estar grande. Porém, em nenhum momento tive sintomas relacionados a função respiratória, como dispneia ou tosse. Meu olfato e paladar só retornaram na segunda semana, precisamente no 12º dia. Eu já vinha conversando com a minha família sobre a grande possibilidade de contrair o vírus durante esse período pois estou na linha de frente. Quando iniciei com os sintomas já os comuniquei, e em todas as nossas conversas tentei passar tranquilidade para eles e mostrar que eu estava ‘bem’. Acho que essa preparação foi essencial para aceitarem o resultado do exame depois”, fala a fisioterapeuta mostrando uma maturidade que não revela sua pouca idade.

Ela comentou com a reportagem ter rezado muito, em todos os momentos. “A tranquilidade que tive para passar por esses dias, para lidar com o resultado positivo com certeza é algo divino. Acho que a nossa fé é o que temos de mais importante, principalmente durante esses momentos turbulentos. Em nenhum momento eu me senti sozinha, sempre senti a presença e a mão de Deus me cuidando”, enfatiza comovida e convicta de sua crença. Ela e a família são católicos praticantes.

Na sequência, tentou sempre se manter tranquila em relação a doença, mesmo sabendo dos riscos que ela poderia trazer. “Acredito muito na importância de manter a saúde mental acima de qualquer coisa, pois ela afeta diretamente na nossa saúde física. E por engraçado que pareça, quando recebi o resultado do exame fiquei ‘aliviada’, pois pensei ‘Meu Deus, obrigada. Passei por essa doença relativamente bem‘”.

Ela entrou em quarentena no dia em que fez o exame, terça-feira (28 de abril). Foi  um período de repouso, de muita reflexão e também de autoconhecimento. A primeira semana de quarentena, narrou, foi mais para preservação e recuperação do seu corpo. Apesar da inapetência, procurou se alimentar de forma adequada e principalmente, consumiu muito líquido.

             Com o noivo no aniversário (14 de abril)  11 dias antes de apresentar os primeiros sintomas

“Nesta segunda semana, aproveitei a companhia do meu noivo, assistimos filmes, jogamos e também procurei me inteirar nos estudos científicos em relação ao novo coronavírus. Fiquei em casa juntamente ao meu noivo. Ele me ajudou muito, e sou muito grata por  enfrentar essa fase comigo da forma que fez e sem medo de se expor também à doença. Tivemos a praticidade em realizarmos compras de supermercado através de aplicativos, e é como nos adaptamos no período de isolamento total”, detalha.

“Minha quarentena em tese se encerrou neste final de semana. Entretanto, a infectologista do hospital solicitou meu retorno ao trabalho somente nesta segunda-feira, dia 11. Com certeza voltarei mais forte, com um desejo ainda maior de ajudar as pessoas que estão enfrentando essa doença e tentar mostrar a elas que a fé é o melhor caminho. E claro, assim que possível quero estar reunida com a minha família que faz seis meses que não vejo”, finaliza, emocionando a todos.

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