Cerca de três mil pessoas passaram pela Feira de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé 2016) de 26 a 28 de outubro. A nona edição do evento teve como tema “Café Cereja Descascado e Sustentabilidade Econômica e Ambiental” e reuniu em Jacarezinho mais de 30 expositores da cadeia produtiva do café. Durante a feira foram realizadas palestras, oficinas, degustações além de uma rodada de negócios e leilão de 18 lotes de cafés especiais finalistas do “IV Concurso de Qualidades dos Sabores do Norte Pioneiro”.
A Ficafé 2017 já tem data definida: será realizada nos dias 25, 26 e 27 de outubro.
Na avaliação do consultor e gestor do Projeto Cafés Especiais do Sebrae/PR, Odemir Capello, a Ficafé colocou a região do norte pioneiro como referência na produção de cafés especiais no Paraná, Brasil e no mundo. Mas, a visibilidade que um evento desse porte atinge é apenas um dos pontos positivos. Segundo Capello, há nove anos a feira traz especialistas para falar de tendências, novas tecnologias e inovações, estabelece contato entre produtores e compradores e abre oportunidades de negócios para expositores. “A parceria, com certeza, é a palavra que resume o sucesso da Ficafé”, analisa Capello.
Para o consultor, a união de expertises das diversas entidades parceiras da feira é o que permite que o projeto alcance o seu objetivo maior: o desenvolvimento do norte pioneiro do Paraná. Para a edição de 2017, quando a Ficafé completará 10 anos, Capello diz que a discussão deverá ser sobre sustentabilidade com diversificação na produção. “O cafeicultor precisa entender que é importante ter outra fonte de renda para gerar receita durante o ano todo”, justificou. Uma possível novidade para a 10ª edição, sinalizada pelo secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, é a realização da etapa final do 15º Concurso Café Qualidade Paraná, em Jacarezinho.
O presidente da Cooperativa dos Produtores dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp), Paulo José Frasquetti, lembra que, por meio das palestras, contato com expositores e compradores de cafés especiais, os produtores têm a oportunidade de se atualizar. “O mercado exige que a gente acompanhe as novas tecnologias e a feira deixa isso muito evidente”, afirma. Ele, que produz cafés especiais desde 2011, afirma que as principais vantagens, além de agregar valor e conseguir melhores preços, é saber que está vendendo um produto de qualidade para o consumidor final e garantir a sustentabilidade na propriedade.
“O produtor está vendo a necessidade de trabalhar de forma associativa e cooperativa”, destaca o presidente da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp), Luiz Fernando de Andrade Leite. Para ele, a Ficafé 2016 superou as expectativas dos organizadores, que teve uma participação massiva de produtores. “O nível das palestras foi altíssimo, tanto da parte técnica, que disseminou muitas tecnologias e informações ao produtor, como as focadas em mercado, que nos deu um direcionamento deslumbrando, a curto prazo, para a próxima safra, preços bem interessantes para o café. No ano que vem, queremos fazer a maior feira de toda história da cafeicultura do Norte Pioneiro.”
O cafeicultor Claudemir Alves de Souza, de Lavrinha, diz que a palestra sobre preços do café e perspectiva de mercado foi a que mais chamou a atenção. “Vimos que a produção está diminuindo, então é um estímulo a mais para continuar no mercado”, afirma. Ele produz cafés especiais há seis anos e teve o café premiado durante a edição da feira deste ano. Carlos Diniz, produtor do Núcleo Matão, conta que a família vive da renda do café e que a feira é importante para fazer novos contatos e aprender mais sobre qualidade. “Ano passado tive meu café leiloado aqui. Me senti especial e valorizado”, lembra.
O cafeicultor Claudeir Souza, também do Núcleo Matão, conta que a palestra sobre o mercado do café o deixou bastante otimista. “Temos boas perspectivas de preços para os próximos anos”, cita. Além de buscar conhecimento, ele aproveitou a feira para pesquisar sobre maquinário. “Os produtores do meu bairro e eu estamos pensando em adquirir uma máquina de colher café para diminuir a mão de obra na colheita”, justifica. Os mais de 20 associados já investiram em máquinas de descascar os grãos para produzirem cafés especiais. “Em 2015, primeiro ano que descascamos café, tive uma renda de R$ 10 mil a mais do que teria se vendesse no mercado normal. É um valor muito significativo para um produtor pequeno”, comemora.
A Ficafé 2016 foi realizada pelo Sebrae/PR, Acenpp, Cocenpp, entre os dias 26 e 28 de outubro, no Centro de Eventos de Jacarezinho, com apoio da Prefeitura de Jacarezinho, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Governo do Paraná, Instituto Federal do Paraná (IFPR) campus Jacarezinho, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA-PR), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Syngenta, BUNN, Associação dos Municípios Norte Pioneiro (Amunorpi), Nucoffee, e Associação dos Engenheiros e Agrônomos do Norte Pioneiro (AEANP), Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Vonder e Cocamar.
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