Desocupada Reitoria da UENP em Jacarezinho

Depois de 16 dias de ocupação, estudantes do ensino superior de Jacarezinho foram forçados a desocupar o prédio da Reitoria da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), após uma liminar da Justiça garantir a reintegração de posse à diretoria da instituição.

Aparentemente desmotivados, os estudantes não quiseram atender o npdiario, alegando que a direção do portal teria prestado informações desencontradas, nominando de “invasão” a ocupação do imóvel, em matéria publicada em primeira mão, no dia 3 de novembro.

Um estudante que não quis de identificar, mas que foi chamado de Pedro e que é integrante do Núcleo de Comunicação do Movimento, disse apenas que ninguém queria comentar nada com a reportagem por conta da primeira publicação feita, inclusive antecedendo a publicação de outros periódicos, que se pautaram com as informações noticiadas pelo jornal.
A reitora Fátima Aparecida da Cruz Padoan, por telefone, conversou com a reportagem e disse que a Justiça expediu uma liminar na tarde de sexta-feira dia 18, exigindo a reintegração de posse e estabelecendo o prazo de 24 horas para que o prédio fosse desocupado.

Ela comemorou o fato de a desocupação ter ocorrido sem a necessidade de “medidas extremas”. “Foi uma ocupação pacífica, quando os estudantes permaneceram no prédio sem prejudicar o andamento das atividades e preservando o patrimônio público”, declarou Fátima Padoan.
No entanto, lembrou ter havido momentos de dificuldade para o exercício das atividades dos profissionais que atuam na reitoria. “Em nenhum momento os servidores foram impedidos de trabalhar, porém houve certo constrangimento, já que tínhamos de trabalhar na ‘companhia’ de pessoas alheias ao serviço executado pelos profissionais da reitoria”, detalhou.
Fátima Padoan lembrou que, ao todo, eram em média 15 estudantes e que, durante a ocupação, houve um dia em que o abastecimento de água na cidade ficou comprometido e a reserva do prédio foi insuficiente para atender aos estudantes e servidores. “A caixa d’água não suportou a quantidade de pessoas que estavam utilizando água e, com a falta de abastecimento, houve certo rebuliço, mas nada que comprometesse a segurança de ninguém”, esclareceu.
Segundo a professora, não houve nenhum ato de vandalismo e todas as instalações do prédio da Reitoria estão preservadas. Quanto às reivindicações dos universitários, várias delas foram parcialmente atendidas, uma vez que as solicitações serão encaminhadas ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, que decidirá ou não pelo atendimento, dependendo da disponibilidade de recursos financeiros.

Uma das exigências dos estudantes era quanto à inclusão de cota racial na disputa pelas vagas no vestibular. Segundo a reitora, essa é uma pauta de discussão de longa data no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, que pode ou não incluir, ainda, a cota social. “Nossa meta é incluir a cota racial e, se possível, também a social, no vestibular do ano que vem, para que alunos sejam beneficiados por essa medida”, estima a reitora Fátima Padoan.
Os estudantes também pediram ampliação do número de vagas na moradia estudantil e subsídio para alimentação. No entanto, os recursos financeiros da UENP são insuficientes para garantir esses benefícios integralmente. Caso o edital do Sisu, da qual a UENP aderiu desde 2014, seja publicado, a Universidade receberá cerca de R$ 750 mil, que poderão ser revertidos em benefícios sociais aos estudantes.
Ocupação ou invasão – Os estudantes reclamaram de que o npdiario publicou, no dia 3 de novembro, matéria de que eles teriam “invadido” o prédio da UENP (reveja o conteúdo no link do final desta matéria) e que, por isso, não repassariam nenhuma informação, pois não foi, segundo eles, uma invasão, e sim, ocupação. A reportagem lamenta o desentendido, sobretudo pelo fato de que, embora sejam estudantes universitários, os “ocupantes”, não tenham conhecimento do significado das duas palavras: ocupar e invadir.
Segundo o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa: invadir (vtd) é entrar à força em; penetrar hostilmente em determinado lugar; apoderar-se, conquistar, tomar. Já ocupar (vtd) é o ato de invadir determinado espaço e aí permanecer; tomar. Por telefone, a reportagem perguntou à reitora Fátima Padoan se os estudantes foram “convidados” a entrar às instalações da Reitoria, ou se o fizeram por iniciativa própria. “Em nenhum momento os estudantes foram convidados a ocupar o prédio. Simplesmente entraram e disseram que ficariam lá até que suas reivindicações fossem atendidas, permitindo que os servidores permanecessem no exercício de suas atividades normalmente”, explicou.
No começo, segundo ela, foi tudo tranquilo. “Mas, no decorrer do tempo, a convivência estudantes/servidores foi abalada, por causa da grande movimentação dos estudantes em todo o prédio. Apesar da convivência pacífica inicialmente, não considero que tenha havido uma invasão, mas sim, uma ocupação, pois os estudantes respeitaram o patrimônio público e os servidores e permitiram o diálogo entre a Reitoria e os manifestantes”, finalizou a reitora Fátima Padoan.
O npdiario esclarece que tem compromisso com a informação e prima pela clareza e transparência no noticiário, fazendo-se valer das normas da Língua Portuguesa, embora inevitável e eventualmente, cometa erros. No entanto, reafirma, com todo o respeito ao contraditório, que a reitoria foi, de fato, “invadida” por estudante, já que “ocupação” é termo válido para imóveis desocupados, abandonados ou sem dono, o que não é o caso da Reitoria da UENP.
Texto e foto: Valdir Amaral/Especial para o npdiario

Aqui, a matéria dada em primeira mão no começo deste mês:

http://npdiario.com.br/educacao/2016/estudantes-invadem-reitoria-da-uenp/

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