Estado registra aumento de domicílios, redução no número de jovens e mudanças no perfil das famílias
O Paraná chegou a 11,9 milhões de habitantes em 2025, consolidando-se como o quinto estado mais populoso do Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), que traça um panorama detalhado das características da população e das moradias no estado.
Apesar do crescimento populacional, o levantamento revela uma mudança importante no perfil demográfico: a população está envelhecendo. Entre 2012 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou mais de 55%, passando de 1,28 milhão para 1,98 milhão. Em contrapartida, todas as faixas etárias até 24 anos apresentaram queda, com destaque para os jovens de 15 a 19 anos, que tiveram redução superior a 18%.
Atualmente, a parcela da população entre 0 e 24 anos representa 33,1% dos paranaenses — uma queda significativa em relação aos 39,5% registrados em 2012. Já a população acima de 25 anos cresce de forma contínua, indicando uma inversão na pirâmide etária.
Mais casas, menos moradores
O número de domicílios também aumentou. Em 2025, o Paraná contabilizou 4,52 milhões de residências, um crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior e de 19,27% desde 2016. Ao mesmo tempo, o número médio de moradores por domicílio caiu de 3,0 para 2,6 pessoas, evidenciando famílias menores e maior presença de pessoas vivendo sozinhas.
Os domicílios unipessoais — compostos por apenas um morador — cresceram significativamente, passando de 11,4% em 2012 para 18,7% em 2025. A maioria desses moradores tem entre 30 e 59 anos, mas chama atenção o aumento entre idosos, que já representam 41,7% desse tipo de moradia.
Mudanças no perfil familiar e social
Outro destaque é o aumento da participação feminina como responsável pelos lares. Em 2012, 19,9% das mulheres eram chefes de domicílio; em 2025, esse número praticamente dobrou, chegando a 39,5%. As mulheres também passaram a representar 51,2% da população estadual.
Houve ainda mudanças na composição familiar. A proporção de pessoas na condição de filhos ou enteados dentro dos domicílios caiu de 36,4% para 30,5% ao longo dos anos, refletindo transformações nos arranjos familiares.
Habitação: mais aluguel e menos imóveis quitados
O levantamento mostra uma tendência de aumento nos imóveis alugados, que já representam 25,1% das moradias no estado — cerca de 1,13 milhão de unidades. Em contrapartida, caiu a proporção de imóveis próprios já quitados, de 61,6% em 2016 para 54,8% em 2025.
As casas seguem predominando, correspondendo a 83,5% dos domicílios, mas os apartamentos foram o tipo de moradia que mais cresceu proporcionalmente no período analisado.
Infraestrutura e desigualdade entre urbano e rural
A pesquisa também evidencia diferenças marcantes entre áreas urbanas e rurais. Enquanto 97,7% das residências urbanas contam com abastecimento de água pela rede geral, apenas 22,3% das moradias rurais têm acesso a esse serviço. Nessas regiões, 41% utilizam poços artesianos.
No saneamento, 80,1% dos domicílios urbanos estão ligados à rede geral de esgoto, enquanto, na zona rural, predominam soluções consideradas inadequadas, como fossas rudimentares e descarte direto no meio ambiente.
A coleta de lixo também apresenta disparidades: atende 98,9% das residências urbanas, mas apenas 37,4% das rurais. Em contrapartida, a queima de lixo ainda é prática comum em 36,9% das propriedades rurais.
Acesso a bens e hábitos domésticos
Entre os avanços, destaca-se o aumento no acesso a bens duráveis. O percentual de domicílios com máquina de lavar roupa subiu para 89,1%. O Paraná também se mantém como o segundo estado com maior proporção de residências com carro, alcançando 68,3%.
No preparo de alimentos, o gás de botijão continua sendo predominante, utilizado em 88,4% dos lares. No entanto, 14,6% das residências ainda utilizam lenha ou carvão, principalmente em áreas rurais.
Retrato de um estado em transformação
Os dados da PNAD Contínua mostram um Paraná em transformação: com população crescente, porém mais envelhecida; famílias menores; maior presença feminina na liderança dos lares; e mudanças nas condições de moradia.
O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população, à habitação e à redução das desigualdades entre áreas urbanas e rurais, acompanhando as novas demandas da sociedade paranaense.
Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Compartilhe isso:
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp