Mulher conta as dificuldades

O caso da idosa que deu uma lição de honestidade ao devolver o cartão Bolsa Família à secretaria de Assistência Social de Wenceslau Braz porque não precisava mais do benefício se transformou em caso exemplar.
Em entrevista, Aparecida Rocha Soares,69 anos, ou simplesmente dona Teca, como é conhecida, mostra agora como é seu dia a dia, sua vida, sua casa e como tem sido suas finanças após conseguir novamente a pensão do marido que havia perdido.
Mesmo tendo seu benefício restituído, continua limpando quintais, ganhando em média de R$ 50,00, e fazendo alguns bicos. Segundo ela, o trabalho a deixa feliz. “Eu sempre trabalhei e enquanto tiver forças vou continuar, claro que não dá para depender só desse dinheirinho, a gente precisa ter a segurança do nosso salário todo mês pra honrar os compromissos”, conta.
Como morava em uma casa de madeira que estava em péssimas condições, a maior realização seria construir uma nova “de material”.Após a morte do marido, com o qual viveu 35 anos, ela passou a juntar dinheiro para construir um novo lar.
Dona Teca realizou o sonho de construir sua casa, somente com dinheiro que guardou na poupança durante a época em que trabalhava de boia-fria. “Eu juntei dinheiro durante anos, cada R$ 2 que eu ganhava na roça eu ia lá no banco e dava uma parte”, relembra orgulhosa.
Quando decidiu pegar o dinheiro para reformar a casa sequer sabia da quantidade que havia no banco e ficou admirada em ver que com a quantia que havia poupado pode comprar todos os materiais à vista.
Com a vinda da neta de quatro anos para morar com ela, dona Teca percebeu que teria que dedicar seu tempo para a menina e não poderia mais se ausentar para roça. Foi nesse momento que além de não poder mais trabalhar, sua pensão foi suspensa por motivos que ela desconhecia. “A minha filha, mãe da minha neta, mandava R$ 100 por mês pra mim, e esse dinheiro era meu único ganho para sustentar a casa. Foi quando eu decidi pedir ajuda à Assistência Social e passei a receber R$ 75 mensais de Bolsa Família”, relata.
Após alguns anos, a neta foi morar com a mãe novamente e dona Teca voltou a trabalhar na roça e limpar quintais para poder reforçar a renda.
Foi na tarde de 23 de agosto deste ano que ela foi a agência bancária e resolveu fechar a conta benefício que não estava mais sendo usada, quando foi informada de que a pensão do marido falecido tinha sido restituída já há alguns meses mas ela não tinha sido informada. “Aquele momento foi um dos mais felizes da minha vida, pois aquilo era um direito meu e que graças a Deus voltou para minhas mãos”, narrou,emocionada.
No dia seguinte da notícia da volta da pensão, a idosa se apresentou ao CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) solicitando o cancelamento do Bolsa Família, pois alegou não precisar mais daquela ajuda que era só para as horas de emergência. “Eu sempre fui honesta e, aquele dinheiro não era pra sempre, era só até eu me estabilizar e agora que deu tudo certo, o melhor que eu fiz foi cancelar, sei que outras pessoas que estão precisando vão fazer uso do valor”, finaliza.
Dona Teca mora com três cães, tem uma pequena criação de galinhas de estimação e cultiva hortaliças para o consumo próprio. Seu jardim é repleto de flores de diversas cores e seu objetivo agora é de forrar toda a casa, trabalho que não foi concluído ainda(Texto e foto:Vanessa Lopes).

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