Em Bandeirantes pedreira pode ser polo de geoturismo

Proposta em discussão é geossítio, parque geológico ou museu a céu aberto

Um espaço antes marcado pela extração mineral começa a ganhar novo significado no Norte Pioneiro do Paraná. A antiga pedreira municipal de Bandeirantes desponta como um promissor ponto de visitação turística e científica, graças a formações geológicas raras que têm chamado a atenção de pesquisadores.

O destaque do local é a presença da chamada “lava em corda”, ou pahoehoe, uma estrutura vulcânica formada há cerca de 130 milhões de anos, durante os derrames basálticos da Formação Serra Geral. Esse fenômeno está diretamente ligado ao processo geológico que resultou na separação entre a América do Sul e a África e na abertura do Oceano Atlântico Sul.

A relevância científica da pedreira vem sendo confirmada ao longo dos últimos anos. Em 2022, geólogos do Instituto Água e Terra realizaram levantamentos no local e registraram a presença das ondulações naturais nas rochas, típicas desse tipo de formação.

Já em 2023, um grupo de pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil voltou à área durante um treinamento técnico de campo, reforçando a importância do sítio para estudos sobre o passado vulcânico do território brasileiro.

Durante essa visita, os especialistas destacaram o bom estado de conservação das estruturas, fator considerado essencial para pesquisas e atividades educativas. O reconhecimento culminou no registro da pedreira no banco nacional de geossítios, onde recebeu valor científico 270 — classificação que indica relevância em nível nacional e alto potencial para o geoturismo.

Esse avanço tem sido possível graças à atuação conjunta de instituições e profissionais que defendem a criação de uma georrota no Norte Pioneiro. Entre os envolvidos estão especialistas ligados ao próprio IAT e ao Serviço Geológico do Brasil, além de pesquisadores que trabalham na valorização do patrimônio natural da região.

A proposta em discussão é transformar a pedreira em um geossítio, parque geológico ou museu a céu aberto. A iniciativa permitiria preservar o patrimônio natural e, ao mesmo tempo, abrir espaço para visitas escolares, pesquisas científicas e turismo educativo.

Experiências semelhantes já mostram que esse caminho é viável. No Paraná, projetos em cidades como Prudentópolis e Ibaiti demonstram como antigas áreas de mineração podem ser revitalizadas e convertidas em espaços de educação ambiental e desenvolvimento turístico.

A pedreira de Bandeirantes, nesse contexto, surge como um dos pontos mais promissores para integrar a futura Georrota do Norte Pioneiro — um circuito que poderá abranger cerca de 4 mil quilômetros quadrados, conectando diferentes locais de relevância geológica e histórica.

Caso o projeto avance, o município poderá conquistar um novo papel no cenário do geoturismo brasileiro, transformando um antigo espaço de exploração em referência de conhecimento, preservação e desenvolvimento sustentável.

Reportagem: Marcos Almeida, pesquisador independente/Especial para o Npdiario

 

 

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