Preço alto do café beneficia 4 cidades do Norte Pioneiro

Carlópolis, Pinhalão, Ibaiti e Tomazina

Pode parecer contraditório, porém, o preço do café no varejo continuará em patamares altos pelo menos até que a próxima safra esteja colhida e disponível no mercado – ela se fortalece entre junho e julho. De outro lado, os produtores também estão recebendo mais pelo produto, o que possibilita que se compense, em parte, os prejuízos que vinham acumulando nos últimos ciclos.

Esse é um dos temas apresentados com mais detalhes no último boletim de conjuntura agropecuária. O documento é preparado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O chefe do Núcleo Regional de Agricultura de Jacarezinho, Fernando Emmanuel (foto) lembrou que, em 2023, o Paraná produziu cerca de 722 mil sacas de café beneficiado. Em 2024, 667 mil sacas, 7,5% menos que ano anterior, por conta de adversidades climáticas. A área cultivada com café no Paraná gira em torno de 26.000 hectares.

No Norte Pioneiro, os cafezais ocupam área de aproximadamente 14.500 hectares. Os principais municípios produtores são: Carlópolis, Pinhalão, Ibaiti e Tomazina.
O valor médio recebido pelo produtor pela saca do café beneficiado em 2023 foi R$ 847,00 e em 2024, O preço médio recebido foi de R$ 1.270,00 por saca.
A cotação atual do café beneficiado bebida dura tipo 6 hoje é R$ 2.315,00 a saca.

A pesquisa de varejo feita periodicamente pelo Deral mostra que em 2024 o preço do café no mercado paranaense teve aumento de 50%. Em dezembro de 2023 a média por quilo ficou em R$ 13,59. Um ano depois estava em R$ 20,33.

Os primeiros levantamentos de 2025 indicam que o movimento de alta não cessou. Dez pacotes estão custando R$ 230,22 no atacado. Mesmo que seja repassado ao consumidor sem lucro, já supera em 10% os valores praticados no varejo no final do ano passado.

A produção paranaense sozinha não é capaz de reverter essa situação, pois oferece menos de 2% do volume brasileiro. Mas a previsão é que as boas floradas e o bom desenvolvimento observados levem a uma produção de 42,7 mil toneladas nos 25,5 mil hectares, o que seria 6% superior às 40,4 mil toneladas de 2024.

Para o produtor, a recuperação do preço é um alento. A saca de 60 quilos de café beneficiado está cotada a R$ 2.190,00. Esse valor é 11% superior à média paga em dezembro (R$ 1.975,26) e 153% maior que os R$ 866,15 pagos em janeiro do ano passado.

“Apesar do bom momento vivenciado pelos produtores, é importante lembrar que estes têm vivido anos complicados antes deste, em grande parte responsáveis pelo recuo de 44% da área nos últimos dez anos, passando de 45,6 mil hectares para os 25,5 mil atuais”, ponderou Carlos Hugo Godinho, analista da cultura no Deral.

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