Poço de Tomazina mantém mistério

Com 104 metros de profundidade

No interior de Tomazina, no Norte Pioneiro, uma antiga estrutura continua despertando curiosidade e alimentando a imaginação popular. Com impressionantes 104 metros de profundidade, o chamado Poço do Conde atravessou mais de um século cercado por relatos, lendas e mistérios que se tornaram parte da identidade histórica do município.

A origem da história remonta ao início do século XX, período em que o nome do Conde Siciliano ganhou destaque na região. Registros publicados em jornais da época o descrevem como um empreendedor ligado ao desenvolvimento econômico local e à implantação de importantes iniciativas que contribuíram para o crescimento de Tomazina.

Uma publicação de 1914 destacava o espírito progressista do conde e seu empenho em promover o desenvolvimento da região. Outro registro histórico mencionava a inauguração do ramal ferroviário Barra Bonita–Rio do Peixe, obra que impulsionou a economia local e ampliou as perspectivas para uma área que até então recebia pouca atenção de investidores.

Com a chegada da ferrovia, surgiram também histórias que atravessaram gerações. Segundo relatos preservados pela tradição oral, entre as décadas de 1930 e 1940 caixas lacradas deixavam regularmente a propriedade do Conde Siciliano e eram transportadas até a estação ferroviária de Tomazina. De lá, seguiam em trens para destinos desconhecidos.

Nunca houve confirmação oficial sobre o conteúdo dessas cargas. A falta de explicações alimentou inúmeras especulações ao longo dos anos. Alguns moradores acreditavam que as caixas transportavam ouro ou diamantes; outros falavam em minerais raros e até urânio. Nenhuma dessas hipóteses foi comprovada documentalmente, mas o mistério permaneceu vivo na memória popular.

Outro episódio frequentemente lembrado envolve o desaparecimento do próprio conde. De acordo com a narrativa transmitida por gerações, antes de partir para uma viagem de negócios ele teria informado ao homem responsável pelos cuidados da propriedade que, caso não retornasse, as terras poderiam ficar com ele como forma de pagamento pelos serviços prestados.

O retorno, segundo a história, nunca aconteceu.

Décadas mais tarde, o poço voltou ao centro das atenções. Nos anos 1990, uma equipe conhecida na região como “caça-tesouros” recebeu autorização do proprietário para realizar uma investigação no local. Utilizando bombas de sucção adaptadas com motores de automóveis, os participantes retiraram toda a água acumulada ao longo dos anos.

Com o poço completamente esvaziado, sua profundidade de 104 metros pôde ser observada. Como o proprietário já era idoso, seus filhos participaram da descida até o fundo juntamente com a equipe.

A expectativa era de encontrar algum vestígio que confirmasse as histórias transmitidas ao longo do tempo. Porém, segundo os relatos, o que foi encontrado foi apenas uma câmara lateral e uma laje no fundo da estrutura. Nenhum tesouro aparente, nenhuma evidência de metais preciosos ou minerais raros.

O resultado não encerrou o mistério. Pelo contrário, fortaleceu ainda mais o fascínio em torno do local.

Atualmente, o Poço do Conde é considerado parte importante do patrimônio imaterial de Tomazina. Mais do que a busca por riquezas escondidas, ele representa um período marcante da história regional, quando a ferrovia simbolizava progresso e o interior paranaense vivia profundas transformações econômicas e sociais.

Entre documentos históricos e relatos passados de geração em geração, o Poço do Conde permanece como um símbolo da memória coletiva tomazinense. Uma história que mistura realidade e imaginação, preservando um legado cultural que continua despertando interesse e curiosidade.

Importante: o Poço do Conde está localizado em propriedade particular, cercada e sem acesso à visitação pública. O objetivo da divulgação da história é exclusivamente resgatar e preservar a memória cultural associada ao local.

Texto e fotografia de Marcos Antônio de Almeida/Especial para o Npdiario

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