Buscam soluções para reduzir efeitos da tarifa de 25% dos EUA
O deputado estadual Requião Filho (PDT) e a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) se reuniram nesta terça-feira (21), em Brasília, com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, “para defender os interesses econômicos do Paraná diante da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros”.
A tarifa de 25% foi determinada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e começa a valer nesta quarta-feira, 22 de julho. Ela se soma à tarifa de importação que cada mercadoria já pagava para entrar no mercado norte-americano, o que preocupa a cadeia produtiva paranaense. Junto com São Paulo e Santa Catarina, o Paraná é um dos estados mais afetados pela nova tarifa.
O mercado norte-americano compra, em média, US$ 1,5 bilhão por ano do Paraná, com aproximadamente 700 empresas paranaenses com faturamento proveniente dessas exportações. Entre elas, 16 obtêm mais de 90% da receita nas vendas aos Estados Unidos.
A indústria madeireira é a principal impactada. Molduras, compensados, madeira serrada, pisos, portas e móveis representam aproximadamente 40% das exportações paranaenses aos Estados Unidos. A cadeia emprega cerca de 38 mil trabalhadores e está presente em 266 dos 399 municípios do estado, sobretudo nos Campos Gerais e no Centro-Sul do estado, em municípios como Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Ventania e Guarapuava. Alckmin é o principal interlocutor do governo brasileiro nesta agenda.
Tarifaço – A tarifa imposta pelos EUA tem impacto diferente para diversos produtos brasileiros. A decisão norte-americana contém uma extensa lista de exceções, que inclui alguns itens de madeira e produtos como tilápia, café solúvel, mel e determinados tipos de couro. Entretanto, parte importante da produção paranaense continua exposta, incluindo madeira serrada, molduras, portas, móveis e diferentes categorias de compensados, pisos e derivados, dependendo da classificação tarifária de cada mercadoria.
Estimativa da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP) aponta que aproximadamente 75% das exportações industriais paranaenses para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa. Dados do Ipardes também mostraram que, em 2024, a fabricação de madeira e produtos de madeira respondeu por 38,7% de tudo o que o Paraná vendeu aos Estados Unidos. Foram aproximadamente US$ 614,5 milhões em exportações, principalmente de produtos destinados à construção civil e ao mercado residencial norte-americano.

A preocupação dos parlamentares é que os efeitos diretos recaiam sobre os trabalhadores das florestas plantadas, serrarias e fábricas. Além disso, os efeitos indiretos chegam aos caminhoneiros, oficinas, fornecedores de máquinas e insumos, postos de combustíveis, empresas de embalagem, comércio, serviços e arrecadação dos municípios.
Na reunião com Alckmin, Requião Filho e Gleisi levaram uma demanda concreta do Paraná ao centro da política comercial brasileira. A iniciativa busca garantir que o estado não seja apenas informado sobre as decisões, mas efetivamente representado na construção das soluções. Defender a indústria da madeira, nesse momento, significa defender os trabalhadores, a produção e a economia de dezenas de municípios paranaenses.
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